CAP. 2
AOS VINTE E NOVE ANOS AMANDA SANTI UPSON ERA UMA MULHER REALMENTE BELA. ALTA, MAGRA A PELE CLARA CONTRASTAVA COM OS CABELOS COR DE CHOCOLATE LIGEIRAMENTE ONDULADOS. OS OLHOS EXPRESSIVOS ERAM CASTANHOS, COMO A COR DAS FOLHAS EM UM OUTONO EUROPEU; A BOCA CARNUDA DE LÁBIOS VERMELHOS EXIBIA QUASE SEMPRE UM SORRISO ENCANTADOR. O NARIZ AFILADO E LEVEMENTE ARREBITADO COMPLETAVA O PERFIL.
ELA ESTACIONOU O CARRO NA GARAGEM DO EDIFICIO E TOMOU O ELEVADOR PARA O DÉCIMO SEGUNDO ANDAR. ERAM QUASE OITO HORAS, TERIA POUCO MAIS DE UMA HORA PARA ESTAR PRONTA. AS NOVES JÁ HAVERIAM PACIENTES ESPERANDO POR ELA NO AMBULATÓRIO DO CENTRO MÉDICO MUNICIPAL.
TIROU A ROUPA AMASSADA DO PLANTÃO E DOBROU CUIDADOSAMENTE COLOCANDO DENTRO DO CESTO DE ROUPA SUJA. NOSSA! ELA PRESCISAVA ARRANJAR UM TEMPO PARA COLOCAR TODA AQUELA ROUPA PARA LAVAR. DE OUTRA FORMA, EM BREVE, NÃO TERIA COMO IR TRABALHAR. ENTROU NO BANHEIRO, LIGOU O CHUVEIRO ABRINDO A TORNEIRA CUIDADOSAMENTE ATÉ OBTER AQUELA TEMPERATURA MORNA E RELAXANTE, PEGOU A BUCHA E COMEÇOU A ENSABOAR O CORPO DOLORIDO COMO SE ESTIVESSE APLICANDO UMA MASSAGEM.
COMO ELA GOSTARIA DE TER ALGUÉM PARA ENSABOÁ-LA, FAZER UMA MASSAGEM... SURPREENDEU-SE AO PERCEBER COMO PODIA ESTAR AO MESMO TEMPO CANSADA E EXCITADA. ANTES QUE O SENTIMENTO DE AUTOPIEDADE TOMASSE CONTA DE SUA MENTE ABRIU A TORNEIRA ATÉ O FINAL E UM JATO DE ÀGUA FRIA ACALMAOU O SEU ESPÍRITO.
JÁ HAVIAM SE PASSADO QUASE QUATRO MESES DO FIM DE SEU RELACIONAMENTO COM PEDRO ANTONIO, MAS ELA AINDA SE ENCONTRAVA EM RECESSO EMOCIONAL. FORA BASTANTE DOLOROSO DESCOBRIR QUE ELE TINHA OUTRA E QUE TUDO EM QUE ACREDITAVA HAVIA SE DESMORONADO. AS JURAS DE AMOR ETERNO, OS GALANTEIOS, TODO O ESFORÇO QUE ELE TINHA FEITO PARA CONQUISTÁ-LA. SERÁ QUE TINHA SIDO VERDADEIRO? OU ERA TUDO UMA FARSA? ELA ESTAVA CHEGANDO A CONCLUSÃO DE QUE O PIOR HOMEM COM O QUAL UMA MULHER PODIA SE RELACIONAR ERA UM MÉDICO. TALVES FOSSE O AMBIENTE HOSPITALAR COM OS DORMITÓRIOS MISTOS, OU O GRANDE NÚMERO DE ENFERMEIRAS E ESTUDANTES LOUCAS PARA TER UM CASO COM QUALQUER UM DELES, OU A ROTINA DURA QUE OS AFASTAVA DA FAMÍLIA. A VERDADE É QUE TODO DIA ELA TOMAVA CONHECIMENTO DE MAIS UM CASO DE INFIDELIDADE NO HOSPITAL. SERÁ QUE NENHUM MÉDICO PODIA SER FIEL?
APESAR DO SEU ESTADO DE ESPÍRITO ELA ERA UMA MÉDICA MUITO BOA E UMA MULHER MUITO INTELIGENTE PARA IGNORAR QUE SEU CORPO JÁ ESTAVA PRONTO PARA UMA NOVA PAIXÃO. E MAIS UMA VEZ SE SURPREENDEU COM O FATO DE SEUS SEIOS FICAREM RÍGIDOS AO TOQUE DA TOALHA COM QUE SE ENXUGAVA.
'-ORA! DEIXE DISTO. VOCÊ TEM UM LONGO DIA DE TRABALHO PELA FRENTE.' PENSOU.
O DIA ESTAVA CHUVOSO E AMANDA ESCOLHEU UMA CALÇA DE LINHO PRETA, COLOCOU A CAMISA XADREZ DE MANGAS COMPRIDAS QUE ELA ADORAVA E CALÇOU AS BOTAS QUE HAVIA COMPRADO ESPECIALMENTE PARA ESTES DIAS. TOMOU UMA XÍCARA DE CAFÉ BEM FORTE COM ADOÇANTE E COMEU DUAS TORRADAS COM UMA FINA CAMADA DE MARGARINA. JUNTOU SEU MATERIAL DE TRABALHO E SE DIRIGIU PARA O AMBULATÓRIO.
***
quinta-feira, 18 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
Caminhos Cruzados (Cap 1)
JULHO
A Dra. AMANDA SAIU BEM CEDO DO HOSPITAL. ERA UM PRIVILÉGIO TROCAR PLANTÃO COM O Dr. JOSÉ ANTÔNIO, POIS ELE ERA EXTREMAMANTE PONTUAL. O DIA LÁ FORA ESTAVA NUBLADO E CHUVOSO, CONVIDANDO A UMA CAMA, PRINCIPALMENTE DEPOIS DE UMA NOITE EXAUSTIVA COMO A QUE ELA TIVERA. DOIS INFARTADOS, UMA PARADA CARDÍACA E UM EDEMA AGUDO DE PULMÃO, ELA HAVIA TRABALHADO A NOITE INTEIRA SEM NENHUM DESCANSO.
AMANDA SAIU PELA ENTRADA LATERAL QUE DAVA DIRETAMENTE NO ESTACIONAMENTO DO HOSPITAL. DETESTAVA GUARDA-CHUVA E POR ISTO CORREU APRESSANDAMENTE LOUCA PARA CHEGAR ATÉ O CARRO QUE A LEVARIA PARA CASA. UM BOM E DEMORADO BANHO QUENTE ERA DO QUE ELA PRESCISAVA AGORA. ESTAVA SE SENTINDO PÉSSIMA COM A CALÇA DE LINHO TODA AMARROTADA, A CAMISA COM AS MANGAS ARREGASSADAS ATÉ OS COTOVELOS, E COM OS BRAÇOS DOLORIDOS PELO ESFORÇO DURANTE AS MANOBRAS DE RESSUCITAÇÃO DO PACIENTE QUE DERA ENTRADA EM PARADA CARDÍACA. PELO MENOS SE SENTIA RECONFORTADA COM A IDÉIA DE QUE ELE TINHA SIDO RESSUCITADO COM SUCESSO E SE ENCONTRAVA AGORA NA UTI.
ENTROU RAPIDAMENTE NO SEU SPORTAGE DOURADO, LIGOU O CD ONDE A VOZ ROUCA DE ZÉLIA DUNCAN ENTOAVA UMA MELODIA
'.... MEU CORAÇÃO
TODA VEZ QUE TE VÊ
QUER GRITAR, ME ANUNCIAR, SAIR CANTANDO.....'
SORRIU E PENSOU COM IRONIA QUE O SEU CORAÇÃO ESTAVA SILENCIOSO, FECHADO PRA BALANÇO. LIGOU O CARRO E DEU A PARTIDA.
O JEEP BRANCO PAROU, AO MESMO TEMPO, NA ENTRADA LATERAL DO HOSPITAL, DENTRO DO ESTACIONAMENTO.
'-PAULO! QUEM É AQUELA?'
'-AQUELA, QUEM?!' INTERROGOU O MÉDICO SEM ENTENDER.
'-AQUELA DEUSA. AQUELA MULHER. MEU DEUS!, EU NUNCA VI UMA MULHER TÃO SEXY ANTES.'
'-AH! AQUELA. ORA, É AMANDA. RESPONDEU INDIFERENTE O Dr. PAULO
'-VOCÊ A CONHECE?' PERGUNTOU O OUTRO HOMEM COM UMA ANSIEDADE QUASE ADOLESCENTE NA VOZ
'-É CLARO! ELA É A MELHOR AMIGA DA REBECA.'
'-PELO AMOR DE DEUS. VOCÊ TEM QUE ME APRESENTA-LÁ.'
'-POR FAVOR, GUSTAVO. EU ESTOU ATRASADO. DEPOIS NÓS CONVERSAMOS SOBRE ISTO, E.... OBRIGADO PELA CARONA AMIGÃO'
'-MAS... É SÉRIO... EU... EU... ESTOU APAIXONADO....'
MAS O Dr PAULO JÁ HAVIA SE PERDIDO NA IMENSA PORTA QUE DAVA ACESSO AO SEU MUNDO PARTICULAR, O HOSPITAL GERAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA LUZIA.
UM ENORME EDIFÍCIO BRANCO DE DEZ ANDARES, COM DOIS ANEXOS COMPUNHA O CONJUNTO ARQUITETÔNICO DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA LUZIA - HUST. ERA O MAIOR HOSPITAL DA CIDADE E COM CERTEZA O MELHOR. COMO SERVIA DE HOSPITAL ESCOLA PARA A FACULDADE DE MEDICINA DE SANTA LUZIA, O SEU CORPO CLÍNICO CONTAVA COM PROFESSORES RENOMADOS. SER ADMITIDO NA RESIDÊNCIA MÉDICA ERA CONQUISTA DE POUCOS, SÓ OS MELHORES. MAIS DIFÍCIL AINDA ERA, APÓS A RESIDÊNCIA, PERMANECER COMO STAFF DO HOSPITAL. FINANCEIRAMENTE NÃO HAVIA MUITA DIFERENÇA ENTRE TRABALHAR NO HUST E NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE SANTA LUZIA, MAS O PRESTÍGIO DE FAZER PARTE DESTA EQUIPE RENOMADA LEVAVA MUITOS MÉDICOS A DEDICAR ALGUNS ANOS DE SUA VIDA DE RECÉM-FORMADO PARA TENTAR ENTRAR.
O Dr.PAULO MOURYSK ERA UM DOS STAFFS DO HOSPITAL. HÁ CINCO ANOS ATRÁS, APÓS CONCLUIR A SUA RESIDÊNCIA EM CIRURGIA GERAL ELE FORA CONVIDADO PELO CHEFE DO SERVIÇO PARA INTEGRAR A EQUIPE PERMANENTE DE CIRURGIÕES. ERA UM PRIVILÉGIO E UM RECONHECIMENTO AO SEU ESFORÇO. ELE NÃO EXITOU EM ACEITAR O CARGO. POUCO TEMPO DEPOIS PRESTOU CONCURSO PARA PROFESSOR ADJUNTO DE CIRURGIA E FOI APROVADO. UMA PARTE DE SEUS OBJETIVOS ESTAVA SENDO ALCANÇADA.
'-BOM DIA, SENHORITA CARLA!
'-BOM DIA! O Dr. FERNANDO QUER VÊ-LO. '
'-MARQUE UM HORÁRIO NA MINHA AGENDA. OU MELHOR, EU VOU ENTRAR EM UMA CIRURGIA AGORA, NÃO DEVE SER MUITO DEMORADA, DIGA PRA ELE ME ENCONTAR NA LANCHONETE PARA O ALMOÇO.'
'-TUDO BEM, Dr. PAULO.'
CARLA ERA A SECRETÁRIA PARTICULAR DE PAULO. UMA SENHORA DE MEIA IDADE, CORPULENTA COM OS CABELOS TINGIDOS DE UM AMARELO BASTANTE CHAMATIVO. ERA EXTREMAMENTE ORGANIZADA E FIEL COMO UM CÃO.
O MÉDICO DEIXOU A SALA E CAMINHAVA RAPIDAMENTE PELOS CORREDORES QUE O LEVARIAM AO CENTRO CIRURGICO LOCALIZADO NO TERCEIRO ANDAR. PREFERIU SUBIR DE ESCADA, POIS A ESTA HORA DA MANHÃ OS ELEVADORES ESTARIAM CHEIOS E AFINAL UM POUCO DE EXERCÍCIO NÃO LHE FARIA MAL.
'-PRESCISO VOLTAR A CORRER.' PENSOU CONSIGO.
O CENTRO CIRURGICO ERA AMPLO E POSSUIA DEZ SALAS DE CIRURGIA, DUAS SALAS DE RECUPERAÇÃO PÓS ANETÉSICA - RPA , VESTIÁRIOS MASCULINO E FEMININO E UMA SALA DE STAR MÉDICO. MAS A GRANDE VEDÉTE ERA O ANFITEÁTRO CIRÚRGICO. UMA SALA IDEALIZADA PELO Prof. RIVIOTT . COM O SEU PECULIAR FORMATO CIRCULAR E UM CIRCUITO INTERNO DE CAMÊRAS DE VIDEO ELA ESTAVA CONECTADA A UMA SALA DE PROJEÇÃO DE ONDE OS ALUNOS, RESIDÊNTES E OUTROS MÉDICOS PODIAM ASSISTIR TODO O PROCEDIMENTO CIRURGICO. ERA UMA EMOCIONANTE AULA DE CIRURGIA AO VIVO.
PAULO DIRIGIU-SE IMEDIATAMENTE PARA O VESTIÁRIO MASCULINO. APÓS TROCAR DE ROUPA PASSOU PARA O INTERIOR DA ÁREA LIMPA E INICIOU O RITUAL DE ESCOVAÇÃO. LOGO DEPOIS UM OUTRO MÉDICO SE JUNTOU A ELE PARA O MESMO RITUAL, ERA DANILO PONTES O RESIDÊNTE DO SEGUNDO ANO QUE IRIA SERVIR COMO AUXILIAR NA CIRURGIA.
'-COMO ESTÁ O PACIENTE?' PERGUNTOU O Dr. PAULO.
-UM POUCO ANCIOSO. O QUE É BASTANTE NATURAL.' RESPONDEU O OUTRO MÉDICO.
'-E, VOCÊ? ESTUDOU O CASO? TEM NA CABEÇA A ESTRATÉGIA CIRURGICA? AS POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES? O RESIDÊNTE EXITOU UM SEGUNDO ANTES DE RESPONDER.
'-ESTUDEI EXATAMENTE COMO O SENHOR MANDOU. COLECISTECTOMIA, INCISÃO PARA VIDIOLAPAROSCOPIA, DESCOLAMENTO DA VESÍCULA, CUIDADOS COM A CLIPAGEM DOS VASOS....'
IMPACIENTE O PRIMEIRO CIRURGIÃO INTERROMPEU O JOVEM MÉDICO.
'-TÁ BOM, TÁ BOM. JÁ VI QUE VOCÊ ESTUDOU. VAMOS VER NA HORA DA AÇÃO.'
TERMINADA A ESCOVAÇÃO OS DOIS SE DIRIGIRAM PARA A SALA OITO ONDE O RESTANTE DA EQUIPE JÁ ESTAVA PRONTA E O PACIENTE SOB EFEITO DE UM TRANQUILIZANTE JAZIA ADORMECIDO EM CIMA DA MESA CIRURGICA.
'-BOM DIA PARA TODOS. PODEMOS COMEÇAR?' PERGUNTOU O CIRURGIÃO
'-CLARO!' RESPONDERAM AS DUAS ENFERMEIRAS AO MESMO TEMPO EM QUE TROCARAM UM OLHAR DE INTERROGAÇÃO.
'-ENTÃO, PELO AMOR DE DEUS. DESLIGUE ESTE MALDITO RÁDIO.' RESMUNGOU PAULO COM SEU MAU HUMOR HABITUAL .
A ENFERMEIRA DESLIGOU O RÁDIO E ACENOU PARA A SUA COMPANHEIRA. ESTE SIM ERA O Dr. PAULO QUE ELAS CONHECIAM.
'-O PACIENTE É TODO SEU PAULO.' INFORMOU O ANESTESISTA.
***
A Dra. AMANDA SAIU BEM CEDO DO HOSPITAL. ERA UM PRIVILÉGIO TROCAR PLANTÃO COM O Dr. JOSÉ ANTÔNIO, POIS ELE ERA EXTREMAMANTE PONTUAL. O DIA LÁ FORA ESTAVA NUBLADO E CHUVOSO, CONVIDANDO A UMA CAMA, PRINCIPALMENTE DEPOIS DE UMA NOITE EXAUSTIVA COMO A QUE ELA TIVERA. DOIS INFARTADOS, UMA PARADA CARDÍACA E UM EDEMA AGUDO DE PULMÃO, ELA HAVIA TRABALHADO A NOITE INTEIRA SEM NENHUM DESCANSO.
AMANDA SAIU PELA ENTRADA LATERAL QUE DAVA DIRETAMENTE NO ESTACIONAMENTO DO HOSPITAL. DETESTAVA GUARDA-CHUVA E POR ISTO CORREU APRESSANDAMENTE LOUCA PARA CHEGAR ATÉ O CARRO QUE A LEVARIA PARA CASA. UM BOM E DEMORADO BANHO QUENTE ERA DO QUE ELA PRESCISAVA AGORA. ESTAVA SE SENTINDO PÉSSIMA COM A CALÇA DE LINHO TODA AMARROTADA, A CAMISA COM AS MANGAS ARREGASSADAS ATÉ OS COTOVELOS, E COM OS BRAÇOS DOLORIDOS PELO ESFORÇO DURANTE AS MANOBRAS DE RESSUCITAÇÃO DO PACIENTE QUE DERA ENTRADA EM PARADA CARDÍACA. PELO MENOS SE SENTIA RECONFORTADA COM A IDÉIA DE QUE ELE TINHA SIDO RESSUCITADO COM SUCESSO E SE ENCONTRAVA AGORA NA UTI.
ENTROU RAPIDAMENTE NO SEU SPORTAGE DOURADO, LIGOU O CD ONDE A VOZ ROUCA DE ZÉLIA DUNCAN ENTOAVA UMA MELODIA
'.... MEU CORAÇÃO
TODA VEZ QUE TE VÊ
QUER GRITAR, ME ANUNCIAR, SAIR CANTANDO.....'
SORRIU E PENSOU COM IRONIA QUE O SEU CORAÇÃO ESTAVA SILENCIOSO, FECHADO PRA BALANÇO. LIGOU O CARRO E DEU A PARTIDA.
O JEEP BRANCO PAROU, AO MESMO TEMPO, NA ENTRADA LATERAL DO HOSPITAL, DENTRO DO ESTACIONAMENTO.
'-PAULO! QUEM É AQUELA?'
'-AQUELA, QUEM?!' INTERROGOU O MÉDICO SEM ENTENDER.
'-AQUELA DEUSA. AQUELA MULHER. MEU DEUS!, EU NUNCA VI UMA MULHER TÃO SEXY ANTES.'
'-AH! AQUELA. ORA, É AMANDA. RESPONDEU INDIFERENTE O Dr. PAULO
'-VOCÊ A CONHECE?' PERGUNTOU O OUTRO HOMEM COM UMA ANSIEDADE QUASE ADOLESCENTE NA VOZ
'-É CLARO! ELA É A MELHOR AMIGA DA REBECA.'
'-PELO AMOR DE DEUS. VOCÊ TEM QUE ME APRESENTA-LÁ.'
'-POR FAVOR, GUSTAVO. EU ESTOU ATRASADO. DEPOIS NÓS CONVERSAMOS SOBRE ISTO, E.... OBRIGADO PELA CARONA AMIGÃO'
'-MAS... É SÉRIO... EU... EU... ESTOU APAIXONADO....'
MAS O Dr PAULO JÁ HAVIA SE PERDIDO NA IMENSA PORTA QUE DAVA ACESSO AO SEU MUNDO PARTICULAR, O HOSPITAL GERAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA LUZIA.
UM ENORME EDIFÍCIO BRANCO DE DEZ ANDARES, COM DOIS ANEXOS COMPUNHA O CONJUNTO ARQUITETÔNICO DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA LUZIA - HUST. ERA O MAIOR HOSPITAL DA CIDADE E COM CERTEZA O MELHOR. COMO SERVIA DE HOSPITAL ESCOLA PARA A FACULDADE DE MEDICINA DE SANTA LUZIA, O SEU CORPO CLÍNICO CONTAVA COM PROFESSORES RENOMADOS. SER ADMITIDO NA RESIDÊNCIA MÉDICA ERA CONQUISTA DE POUCOS, SÓ OS MELHORES. MAIS DIFÍCIL AINDA ERA, APÓS A RESIDÊNCIA, PERMANECER COMO STAFF DO HOSPITAL. FINANCEIRAMENTE NÃO HAVIA MUITA DIFERENÇA ENTRE TRABALHAR NO HUST E NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE SANTA LUZIA, MAS O PRESTÍGIO DE FAZER PARTE DESTA EQUIPE RENOMADA LEVAVA MUITOS MÉDICOS A DEDICAR ALGUNS ANOS DE SUA VIDA DE RECÉM-FORMADO PARA TENTAR ENTRAR.
O Dr.PAULO MOURYSK ERA UM DOS STAFFS DO HOSPITAL. HÁ CINCO ANOS ATRÁS, APÓS CONCLUIR A SUA RESIDÊNCIA EM CIRURGIA GERAL ELE FORA CONVIDADO PELO CHEFE DO SERVIÇO PARA INTEGRAR A EQUIPE PERMANENTE DE CIRURGIÕES. ERA UM PRIVILÉGIO E UM RECONHECIMENTO AO SEU ESFORÇO. ELE NÃO EXITOU EM ACEITAR O CARGO. POUCO TEMPO DEPOIS PRESTOU CONCURSO PARA PROFESSOR ADJUNTO DE CIRURGIA E FOI APROVADO. UMA PARTE DE SEUS OBJETIVOS ESTAVA SENDO ALCANÇADA.
'-BOM DIA, SENHORITA CARLA!
'-BOM DIA! O Dr. FERNANDO QUER VÊ-LO. '
'-MARQUE UM HORÁRIO NA MINHA AGENDA. OU MELHOR, EU VOU ENTRAR EM UMA CIRURGIA AGORA, NÃO DEVE SER MUITO DEMORADA, DIGA PRA ELE ME ENCONTAR NA LANCHONETE PARA O ALMOÇO.'
'-TUDO BEM, Dr. PAULO.'
CARLA ERA A SECRETÁRIA PARTICULAR DE PAULO. UMA SENHORA DE MEIA IDADE, CORPULENTA COM OS CABELOS TINGIDOS DE UM AMARELO BASTANTE CHAMATIVO. ERA EXTREMAMENTE ORGANIZADA E FIEL COMO UM CÃO.
O MÉDICO DEIXOU A SALA E CAMINHAVA RAPIDAMENTE PELOS CORREDORES QUE O LEVARIAM AO CENTRO CIRURGICO LOCALIZADO NO TERCEIRO ANDAR. PREFERIU SUBIR DE ESCADA, POIS A ESTA HORA DA MANHÃ OS ELEVADORES ESTARIAM CHEIOS E AFINAL UM POUCO DE EXERCÍCIO NÃO LHE FARIA MAL.
'-PRESCISO VOLTAR A CORRER.' PENSOU CONSIGO.
O CENTRO CIRURGICO ERA AMPLO E POSSUIA DEZ SALAS DE CIRURGIA, DUAS SALAS DE RECUPERAÇÃO PÓS ANETÉSICA - RPA , VESTIÁRIOS MASCULINO E FEMININO E UMA SALA DE STAR MÉDICO. MAS A GRANDE VEDÉTE ERA O ANFITEÁTRO CIRÚRGICO. UMA SALA IDEALIZADA PELO Prof. RIVIOTT . COM O SEU PECULIAR FORMATO CIRCULAR E UM CIRCUITO INTERNO DE CAMÊRAS DE VIDEO ELA ESTAVA CONECTADA A UMA SALA DE PROJEÇÃO DE ONDE OS ALUNOS, RESIDÊNTES E OUTROS MÉDICOS PODIAM ASSISTIR TODO O PROCEDIMENTO CIRURGICO. ERA UMA EMOCIONANTE AULA DE CIRURGIA AO VIVO.
PAULO DIRIGIU-SE IMEDIATAMENTE PARA O VESTIÁRIO MASCULINO. APÓS TROCAR DE ROUPA PASSOU PARA O INTERIOR DA ÁREA LIMPA E INICIOU O RITUAL DE ESCOVAÇÃO. LOGO DEPOIS UM OUTRO MÉDICO SE JUNTOU A ELE PARA O MESMO RITUAL, ERA DANILO PONTES O RESIDÊNTE DO SEGUNDO ANO QUE IRIA SERVIR COMO AUXILIAR NA CIRURGIA.
'-COMO ESTÁ O PACIENTE?' PERGUNTOU O Dr. PAULO.
-UM POUCO ANCIOSO. O QUE É BASTANTE NATURAL.' RESPONDEU O OUTRO MÉDICO.
'-E, VOCÊ? ESTUDOU O CASO? TEM NA CABEÇA A ESTRATÉGIA CIRURGICA? AS POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES? O RESIDÊNTE EXITOU UM SEGUNDO ANTES DE RESPONDER.
'-ESTUDEI EXATAMENTE COMO O SENHOR MANDOU. COLECISTECTOMIA, INCISÃO PARA VIDIOLAPAROSCOPIA, DESCOLAMENTO DA VESÍCULA, CUIDADOS COM A CLIPAGEM DOS VASOS....'
IMPACIENTE O PRIMEIRO CIRURGIÃO INTERROMPEU O JOVEM MÉDICO.
'-TÁ BOM, TÁ BOM. JÁ VI QUE VOCÊ ESTUDOU. VAMOS VER NA HORA DA AÇÃO.'
TERMINADA A ESCOVAÇÃO OS DOIS SE DIRIGIRAM PARA A SALA OITO ONDE O RESTANTE DA EQUIPE JÁ ESTAVA PRONTA E O PACIENTE SOB EFEITO DE UM TRANQUILIZANTE JAZIA ADORMECIDO EM CIMA DA MESA CIRURGICA.
'-BOM DIA PARA TODOS. PODEMOS COMEÇAR?' PERGUNTOU O CIRURGIÃO
'-CLARO!' RESPONDERAM AS DUAS ENFERMEIRAS AO MESMO TEMPO EM QUE TROCARAM UM OLHAR DE INTERROGAÇÃO.
'-ENTÃO, PELO AMOR DE DEUS. DESLIGUE ESTE MALDITO RÁDIO.' RESMUNGOU PAULO COM SEU MAU HUMOR HABITUAL .
A ENFERMEIRA DESLIGOU O RÁDIO E ACENOU PARA A SUA COMPANHEIRA. ESTE SIM ERA O Dr. PAULO QUE ELAS CONHECIAM.
'-O PACIENTE É TODO SEU PAULO.' INFORMOU O ANESTESISTA.
***
Leitores e a escrita...
Cadastrei-me a poucos dias no site Skoob, que é uma espécie de "orkut" de aficcionados por livros. A indicação veio de uma guria que conheço do twitter, inteligente e tão afccionada por Elis, Maria Rita e livros, quanto eu. Bia, valeu pela dica. Incrível, mas em apenas 2 semanas de uso, já apareceram pelo menos tres pessoas me indicando seus respectivos livros para ler. Como eu mesma, já escrevi alguns, que é claro jamais foram lidos por outros ou publicados, comecei a pensar: será que todo leitor voraz é um escritor frustrado? acho que de certa forma, sim! E como eu sou completamente viciada em leitura, rsrsrs, é claro que sou também uma escritora frustrada. E já que tá todo mundo me mostrando seus livros, vou começar a colocar o um dos meus por aqui... divirtam-se!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
...sobre futebol e negócios...
No artigo publicado na coluna Opinião por Mauro Beting, no LANCE! De Hoje pág 20, sob o titulo: “Família vende tudo”. O jornalista informa que o ARSENAL, o todo poderoso, o maior vencedor de todos os tempos, pertencente ao aclamado e mais rico futebol do mundo – o Inglês - tem uma divida estimada em 270milhões de Euros.
Na opinião do Mauro Beting, mesmo assim, o modelo de gestão Inglês é muito melhor do que o nosso... Eu particularmente discordo dele. Não acho que possa ser considerado bom um modelo de gestão que ocasiona um rombo deste tamanho.
Na argumentação do autor: "...é melhor ter um clube que pode ser comprado e vendido ao dissabor do mercado, do que a nossa velha estrutura de conselhos deliberativos que nada deliberam..."
Sinceramente discordo completamente do Mauro, os 2 modelos de gestão são inadequados. A diferença no modelo Inglês é que eles fingem ser competentes e profissionais, mas utilizam os clubes para interesses pessoais. Tanto lá, quanto aqui, o interesse é apenas um GANHAR DINHEIRO DE FORMA ASTRONOMICA E IRRESPONSÁVEL. Não acredito que entre estes dois modelos atualmente postos no cenário se possa escolher um que seja melhor do que o outro. Clubes de Futebol, ainda que devam ser administrados de forma profissional não são empresas comuns, são antes de mais nada “empresas de paixões” e não podem ser vendidas e compradas ao dissabor de mercado, como ocorreu por exemplo com o Barueri, que terminado o Brasileiro de 2009, simplesmente se mudou de mala e cuia para Presidente Prudente, porque era mais interessante economicamente. Por outro lado, Clubes de Futebol não podem ser encarados por quem os administra como o “seu time de pelada”. Há que se encontrar um meio termo entre uma coisa e a outra para que se chegue ao modelo ideal. E tudo começa por uma revisão de valores. Nada justifica (nem mesmo todas as belas e plásticas jogadas produzidas) os astronômicos e absurdos salários dos jogadores de futebol. Nada justifica Adriano (por mais craque que seja) receber R$600 mil por mês, o que dará ao final de 1 ano a alarmante e insana montanha de R$7.200.000,00!!!! O valor total anual de patrocínio do futebol do Clube de Regatas do Flamengo é de R$25.000.000,00 ou seja o Adriano vale (??) UM TERÇO do que vale a marca FLAMENGO?!?! Sinceramente, por mais saboroso que seja vê-lo jogar, por mais que ele tenha sido fundamental na conquista do Hexa, eu não acho que vale! Nem ele, e nem nenhum outro! São 114 anos de uma história gloriosa, construída por inúmeros nomes não apenas no futebol, mas em todos os esportes... Enquanto este modelo de inversão de valores não for revisto, não creio que diferentes formas de gestão representarão solução para o “negócio futebol”.
Na opinião do Mauro Beting, mesmo assim, o modelo de gestão Inglês é muito melhor do que o nosso... Eu particularmente discordo dele. Não acho que possa ser considerado bom um modelo de gestão que ocasiona um rombo deste tamanho.
Na argumentação do autor: "...é melhor ter um clube que pode ser comprado e vendido ao dissabor do mercado, do que a nossa velha estrutura de conselhos deliberativos que nada deliberam..."
Sinceramente discordo completamente do Mauro, os 2 modelos de gestão são inadequados. A diferença no modelo Inglês é que eles fingem ser competentes e profissionais, mas utilizam os clubes para interesses pessoais. Tanto lá, quanto aqui, o interesse é apenas um GANHAR DINHEIRO DE FORMA ASTRONOMICA E IRRESPONSÁVEL. Não acredito que entre estes dois modelos atualmente postos no cenário se possa escolher um que seja melhor do que o outro. Clubes de Futebol, ainda que devam ser administrados de forma profissional não são empresas comuns, são antes de mais nada “empresas de paixões” e não podem ser vendidas e compradas ao dissabor de mercado, como ocorreu por exemplo com o Barueri, que terminado o Brasileiro de 2009, simplesmente se mudou de mala e cuia para Presidente Prudente, porque era mais interessante economicamente. Por outro lado, Clubes de Futebol não podem ser encarados por quem os administra como o “seu time de pelada”. Há que se encontrar um meio termo entre uma coisa e a outra para que se chegue ao modelo ideal. E tudo começa por uma revisão de valores. Nada justifica (nem mesmo todas as belas e plásticas jogadas produzidas) os astronômicos e absurdos salários dos jogadores de futebol. Nada justifica Adriano (por mais craque que seja) receber R$600 mil por mês, o que dará ao final de 1 ano a alarmante e insana montanha de R$7.200.000,00!!!! O valor total anual de patrocínio do futebol do Clube de Regatas do Flamengo é de R$25.000.000,00 ou seja o Adriano vale (??) UM TERÇO do que vale a marca FLAMENGO?!?! Sinceramente, por mais saboroso que seja vê-lo jogar, por mais que ele tenha sido fundamental na conquista do Hexa, eu não acho que vale! Nem ele, e nem nenhum outro! São 114 anos de uma história gloriosa, construída por inúmeros nomes não apenas no futebol, mas em todos os esportes... Enquanto este modelo de inversão de valores não for revisto, não creio que diferentes formas de gestão representarão solução para o “negócio futebol”.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O filho do Romário...
Absolutamente ridícula e desnecessária a reportagem no Globo Esporte sobre o filho do Romário, hoje (4 de Fevereiro 2010).
Não pelo garoto, mas pela linha escolhida para abordagem.
Não ajuda em nada, colocar sobre o mlk o peso do “será que ele herdou a genética privilegiada?” Nem ao atleta, nem ao homem!
E pior ainda, é estimular a vaidade do “sabe de quem eu sou filho” no mlk que durante a entrevista por hora nem mostrou te-la.
Se no futuro, ele passar a exigir privilégios em função do nome, essa mesma imprensa será a 1ª a critica-lo com os famosos: “nossos craques são mimados, futebol brasileiro é a casa da mãe Joana” e blá-blá-blá...
Seria muito mais útil se a reportagem estivesse valorizando a luta do garoto para buscar o seu espaço, e construir a SUA PRÓPRIA história, independente de ser filho de quem é!
Não pelo garoto, mas pela linha escolhida para abordagem.
Não ajuda em nada, colocar sobre o mlk o peso do “será que ele herdou a genética privilegiada?” Nem ao atleta, nem ao homem!
E pior ainda, é estimular a vaidade do “sabe de quem eu sou filho” no mlk que durante a entrevista por hora nem mostrou te-la.
Se no futuro, ele passar a exigir privilégios em função do nome, essa mesma imprensa será a 1ª a critica-lo com os famosos: “nossos craques são mimados, futebol brasileiro é a casa da mãe Joana” e blá-blá-blá...
Seria muito mais útil se a reportagem estivesse valorizando a luta do garoto para buscar o seu espaço, e construir a SUA PRÓPRIA história, independente de ser filho de quem é!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Hexa Cibernético!
Bom, passada a ressaca vou colocar algumas linhas aqui sobre a conquista do meu time do coração...
Pra começar o bordão mais que conhecido: "Deixou Chegar, Fudeu!" ou uma versão mais, digamos, elegante: "Deixou chegar, a massa vai empurrar!"...
Sem palavras pra descrever a alegria imensa que é ver o time ser campeão, ou melhor H.E.X.A.C.A.M.P.E.Ã.O! Brasileiro!
Titulo indiscutivel e incontestavel, por mais que os invejosos de plantão tentem empanar o brilho da conquista rubro-negra.
Eu sou uma daquelas torcedoras privilegiados que tive o prazer de ver o time conquistar todos os seis titulos. E, é claro sou 'cria' da geração Zico & Cia... Lembro bem, que eu 'era criança pequena lá em Governador Valadares' quando aquela seleça expetacular comandada pelo Galinho levantou o caneco num Maraca lotado de apaixonados Cidadãos Rubro-Negros... Lembro de sair a rua gritando como uma louca, zoando os vizinhos atleticanos que eram maioria na minha rua...
Depois a sequencia que todo rubro-negro sabe de cor e salteado: Libertadores, Mundial, Bi, Tri, Tetra...
Lembro de assistir pela TV a impressionante e quase inacreditável imagem da grade de proteção do Maraca desabando na conquista do Penta...
E foi só alegria... cansei de zuar, orgulhar-me, exibir 'aquele olhar de superioridade que só nós rubro-negros sabemos fazer' ao bater no peito e dizer: 'Sou o único Pentacampeão Brasileiro'. 'Muitos querem ser Penta (durante as Copas do Mundo q sucederam a conquista do Tetra pela Seleção Canarinho em 1994), eu já sou!' 'Todo mundo tenta, mas só o Mengão é Penta!"...
Mas, as vacas magras vieram... os anos passaram... e o São Paulo chegou lá! Demorou 15 anos, pra que outro clube alcançasse a grandeza das nossas conquistas...
E, o São Paulo, no ultrapassou...
Mas... o Urubu rei não podia perder a majestade... Foi apenas um ano de supremacia para que nós chegassemos novamente ao nosso destino: O Topo!
E, mais uma vez tive o prazer e a alegria de ver o Mengão ser Campeão Brasileiro!
O diferencial desta conquista, foi o saber de obte-la, tantos anos depois...
Foi a certeza de retornamos ao nosso lugar devido no cenário do futebol nacional...
Mas, foi principalmente o carater cibernético desta vitória.
Nunca um titulo do Mais querido foi celebrado ao mesmo tempo, e em tempo real por um numero tão grande de apaixonados.
A internet, e principalmente o twitter, transformaram a experiencia de torcer em algo ainda mais saboroso...
Era possivel ao longo dos vários finais de semana em que se desenrolava o caminho para a tão sonhada conquista, dividir alegrias e tristesas com rubro-negros de norte a sul do país, de forma instantênea e simultânea...
E zoar os adversários diretos, indiretos, os rivais históricos, mesmo quando esles estavão na série B...
E ser zoado, também...
O grito de Goooooolllllllllll emanava da janela do apartamento, e da 'janela da net'... e encontrava eco em milhões de outros posts... Ou topava com um 'Puta-que-pariu, Merda!" de um adversário pelo caminho...
E as emoções, as unhas roídas, a ansiedade, a expectativa, o medo, a esperança, a fé que as vezes ameaçava fraquejar mas era reforçada pelos 'irmãos' de cores...
Tudo isso foi multiplicado por milhões a longo deste Brasileirão... e fez com que o Mengo mais uma vez batesse todos os recordes de publico neste campeonato...
Naquele domingo, a explosão de alegria foi compartilhada por 90 mil apaixonados dentro do Maraca, alguns milhares espalhados pelas telas, TVs e telões no Rio e no Brasil, e outros tantos, em rede twittando loucamente: H.E.X.A.C.A.M.P.E.Ã.O.O.O.O.O.O.O.O.O!!!!
Pra começar o bordão mais que conhecido: "Deixou Chegar, Fudeu!" ou uma versão mais, digamos, elegante: "Deixou chegar, a massa vai empurrar!"...
Sem palavras pra descrever a alegria imensa que é ver o time ser campeão, ou melhor H.E.X.A.C.A.M.P.E.Ã.O! Brasileiro!
Titulo indiscutivel e incontestavel, por mais que os invejosos de plantão tentem empanar o brilho da conquista rubro-negra.
Eu sou uma daquelas torcedoras privilegiados que tive o prazer de ver o time conquistar todos os seis titulos. E, é claro sou 'cria' da geração Zico & Cia... Lembro bem, que eu 'era criança pequena lá em Governador Valadares' quando aquela seleça expetacular comandada pelo Galinho levantou o caneco num Maraca lotado de apaixonados Cidadãos Rubro-Negros... Lembro de sair a rua gritando como uma louca, zoando os vizinhos atleticanos que eram maioria na minha rua...
Depois a sequencia que todo rubro-negro sabe de cor e salteado: Libertadores, Mundial, Bi, Tri, Tetra...
Lembro de assistir pela TV a impressionante e quase inacreditável imagem da grade de proteção do Maraca desabando na conquista do Penta...
E foi só alegria... cansei de zuar, orgulhar-me, exibir 'aquele olhar de superioridade que só nós rubro-negros sabemos fazer' ao bater no peito e dizer: 'Sou o único Pentacampeão Brasileiro'. 'Muitos querem ser Penta (durante as Copas do Mundo q sucederam a conquista do Tetra pela Seleção Canarinho em 1994), eu já sou!' 'Todo mundo tenta, mas só o Mengão é Penta!"...
Mas, as vacas magras vieram... os anos passaram... e o São Paulo chegou lá! Demorou 15 anos, pra que outro clube alcançasse a grandeza das nossas conquistas...
E, o São Paulo, no ultrapassou...
Mas... o Urubu rei não podia perder a majestade... Foi apenas um ano de supremacia para que nós chegassemos novamente ao nosso destino: O Topo!
E, mais uma vez tive o prazer e a alegria de ver o Mengão ser Campeão Brasileiro!
O diferencial desta conquista, foi o saber de obte-la, tantos anos depois...
Foi a certeza de retornamos ao nosso lugar devido no cenário do futebol nacional...
Mas, foi principalmente o carater cibernético desta vitória.
Nunca um titulo do Mais querido foi celebrado ao mesmo tempo, e em tempo real por um numero tão grande de apaixonados.
A internet, e principalmente o twitter, transformaram a experiencia de torcer em algo ainda mais saboroso...
Era possivel ao longo dos vários finais de semana em que se desenrolava o caminho para a tão sonhada conquista, dividir alegrias e tristesas com rubro-negros de norte a sul do país, de forma instantênea e simultânea...
E zoar os adversários diretos, indiretos, os rivais históricos, mesmo quando esles estavão na série B...
E ser zoado, também...
O grito de Goooooolllllllllll emanava da janela do apartamento, e da 'janela da net'... e encontrava eco em milhões de outros posts... Ou topava com um 'Puta-que-pariu, Merda!" de um adversário pelo caminho...
E as emoções, as unhas roídas, a ansiedade, a expectativa, o medo, a esperança, a fé que as vezes ameaçava fraquejar mas era reforçada pelos 'irmãos' de cores...
Tudo isso foi multiplicado por milhões a longo deste Brasileirão... e fez com que o Mengo mais uma vez batesse todos os recordes de publico neste campeonato...
Naquele domingo, a explosão de alegria foi compartilhada por 90 mil apaixonados dentro do Maraca, alguns milhares espalhados pelas telas, TVs e telões no Rio e no Brasil, e outros tantos, em rede twittando loucamente: H.E.X.A.C.A.M.P.E.Ã.O.O.O.O.O.O.O.O.O!!!!
sábado, 24 de outubro de 2009
O 11 de Setembro do Rio
A gente não vai se entregar jamais. A indignação e a sinceridade do secretário de Segurança Pública do RJ José Mariano Beltrame com a derrubada do helicóptero da PM por traficantes no sábado passado deram o tom de um debate ocorrido ontem à noite com representantes da
sociedade civil. Vamos fazer da queda desse helicóptero nosso 11 de Setembro da segurança pública do Rio e do país?, disse Beltrame. Para que haja um antes e um depois, e até a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Rio se torne uma cidade em paz.
O 21º encontro do OsteRio uma iniciativa conjunta do Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (IETS), da Light e da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) que visa discutir o futuro d o Rio ocorreu no restaurante de Ipanema, Osteria dellAngolo. O fórum
acontece todas as segundas-feiras às 20h. Muitos na plateia receavam que Beltrame cancelasse o evento devido ao caos que se instalou na Zona Norte após a invasão do Morro dos Macacos por traficantes rivais, que resultou na morte de três PMs e três moradores supostamente inocentes. O encontro foi mantido. Apenas o foco se aprofundou.
O tema central de sua palestra seriam as UPPs as policias pacificadoras nas favelas. Com a queda do helicóptero, o tema passou a ser a guerra. Guerra foi uma palavra repetida várias vezes pelo secretário e os delegados presentes. Na primeira vez, ainda contido, o
gaúcho Beltrame pediu desculpas pela expressão. Mas depois se soltou. E pediu que a queda deste helicóptero abra os olhos da sociedade em todo o país para o que está acontecendo no Rio: Só no Rio existe fuzil e rifle. Só no Rio existe metralhadora antiaérea. Então o país todo precisa saber que, para enfrentar fuzis 762, 556, e .30, precisa haver um nivelamento das forças de combate, disse Beltrame em palestra que durou duas horas. Precisa haver uma
paridade. Precisamos redimensionar o armamento e os recursos das forças da ordem. Precisa entrar grana. Mas, de que adianta me darem R$10 milhões ou R$ 100 milhões se não posso gerenciar essa verba É para gerenciar as prateleiras com armas não letais. Só posso equipar meus policiais com spray de pimenta? Eu quis comprar carros blindados de Israel e da África do Sul. Fiz o pedido. Ah, não pode, porque esses veículos têm características de guerra. E isso que vivemos no Rio é o quê? O governo federal precisa assumir sua responsabilidade, seu
compromisso. Não adianta nada, um dia depois de bandidos derrubarem um helicóptero e matarem três PMs, nos telefonarem de Brasília oferecendo mais um helicóptero blindado. Nós recusamos. O que vai resolver mais um helicóptero blindado? O combate ao narcotráfico é competência do governo federal. Em nenhum lugar do mundo polícia estadual é encarregada de combater narcotraficantes. Ainda mais traficantes com fuzis importados que entram por nossas fronteiras e nossos portos. O que a população não entende é que o governo federal não tem de ajudar o Rio a combater o narcotráfico armado. É o estado do Rio que está
ajudando o governo federal em algo que é compromisso de Brasília.
A pacificação: No Rio existem hoje quase 1.000 favelas, com 1 milhão 400 mil moradores, onde a taxa de natalidade é seis vezes maior do que no asfalto. Muitos deles são carentes de tudo. De cidadania, títulos de propriedade, luz, esgoto, educação, saúde. A pacificação,iniciada em favelas menores, tem três objetivos. 1) Retomar o território, pois um artista não pode ser obrigado a pedir permissão para fazer um show, a policia não pode ter medo de subir, e o cidadão honesto não pode ficar à mercê do traficante para caminhar 2) Restabelecer a cidadania, onde direitos se associarão a deveres, e ter luz significará pagar pela luz, ter TV a cabo significará pagar pelo serviço. E o morador saberá que não pode ser expulso dali por ser proprietário do imóvel e pagar impostos. 3) Fazer uma ocupação definitiva, social, e não apenas de Forças Armadas que entram para fazer um serviço e saem logo depois.
Isso significa ter escola, posto médico, lazer, ginásio esportivo. Para isso acontecer, é preciso ter uma polícia que defenda os interesses do morador dentro da lei, uma polícia não corrupta, mas também empresas que invistam nessas comunidades para que elas se
tornem bairros e deixem de ser territórios disputados por gangues e facções. Em dezembro, saem da Academia mais 600 novos policiais, treinados para essa função de pacificadores. Em abril, serão mais 700. São 1.300 policiais sem vícios, educados, sem passivo, um investimento do governo estadual e, com ajuda da prefeitura, que está pagando gratificação extra aos recém-formados. Esses policiais poderiam estar nas ruas, prevenindo assaltos. Mas irão para as favelas porque a pacificação é nossa prioridade. Estamos calculando o tombo
que o tráfico levou até agora.
Pesquisas nas favelas:
Fizemos pesquisas no Dona Marta e na Cidade de Deus com 1.200 pessoas. Perguntamos: se os traficantes voltassem a agir livremente, você apoiaria uma intervenção FORTE da policia? No Dona Marta, 87% responderam sim. Na Cidade de Deus, 93% disseram sim. Outra pergunta: o que é mais importante ter nas favelas, qual a maior prioridade para
você? Resposta esmagadora: 1) ensino profissionalizante 2) geração de empregos. É por isso que faço um apelo aos empresários. Invistam nessas áreas. O estado não pode se omitir mas o setor privado também não. Tanto a Comlurb, quanto o setor de hotelaria, os restaurantes,
todos nós precisamos começar a olhar para as favelas pacificadas como bairros com oportunidades de crescimento. Isso porque, se os cidadãos não tiverem um mínimo de demandas atingidas, essa pacificação vai toda por água abaixo. Os moradores estão esperando que os serviços entrem ali, públicos e privados. O compromisso é de todos, também dos políticos e das ONGs. Porque quase ninguém sobe, ninguém vai às favelas. Na Cidade de Deus, eu via cadáveres e crianças dividindo o mesmo espaço, embaixo de um poste com propaganda de um candidato. Hoje uma musica que toca violoncelo no Teatro Municipal e que tinha só três alunos, passou a receber dezenas de matrículas depois que levamos para
tocar lá a Orquestra Sinfônica. É preciso dar perspectiva para a infância.
A metodologia:
Hoje, são 43 favelas que estão no programa de pacificação. O objetivo é chegar a 100 ? que foram identificadas por nós como as mais conflagradas, as mais criticas. No Dona Marta, a capitã que está ali foi pedida pelo COI e não pela gente. Foi o Comitê Olímpico que pediu
uma mulher no comando do Dona Marta. Esse programa começou e terá de continuar para sempre. Nenhum político vai ser burro de interromper a pacificação de favelas, pois isso vai tirar votos dele. Sem pacificação, o traficante com cordão de ouro continuará a ser a referência das crianças da favela porque serão eles a mandar em todos, ou dar as armas para adolescentes assaltarem, fazerem um ganho nos moradores do asfalto. Em resumo, a política de pacificação tem uma meta: resgatar a autoridade do estado democrático. De que adianta prender criminosos e apreender armas se as autoridades precisam pedir para entrar em territórios? Não se iludam. Não estamos nas favelas para acabar com o tráfico de drogas, pois isso não vai acabar nunca enquanto houver consumidores. Tem tráfico na praia, nas
esquinas da Zona Sul, zona nobre. Estamos ocupando as favelas para livrar a população local do desfile ostensivo de bandidos armados com metralhadoras, rifles e fuzis. Estamos ali para acabar com o poder dos traficantes sobre o dia a dia, o comércio, a vida das famílias.
Estamos ali para acabar com a política do fuzil e não com o tráfico. É esta ?política do fuzil? que faz do Rio de Janeiro um estado diferente dos outros?
As múltiplas funções da polícia do Rio:
Nossos policiais exercem três tipos de função. Prevenção e investigação. Combate ao narcotráfico. Proximidade com a comunidade (UPPs). Claro que isso está errado. Eu adoraria só me ocupar, como todas as polícias em paises desenvolvidos no mundo, da prevenção e
investigação. Até em outros estados do Brasil, é assim. No Rio Grande do Sul, eu fui criado com meu revólver 38 nas duplas Pedro e Paulo, que aqui no Rio se chamam Cosme e Damião. Aí seria fácil manter o atual efetivo do Rio. Em São Paulo, a policia só briga com o PCC. No
Rio, temos de combater três facções criminosas do narcotráfico e mais a milícia formada por ex-policiais, tão criminosa quanto os traficantes e mais difícil de prender. Não há nem lei para prender miliciano. Por isso, se já aumentamos o total de policiais de 36 mil para 43 mil, agora precisamos aumentar para 60 mil. Aí vão dizer que, proporcionalmente, este é um número grande demais. Mas, para pacificar o estado, precisamos de 60 mil, senão faltarão policiais nas ruas.
Progressão da pena:
A sociedade precisa colocar em discussão o regime de progressão da pena, que liberta um criminoso de bom comportamento depois de ele cumprir um sexto de sua sentença se tiver bom comportamento na prisão. Por que não exigir que cumpra nove décimos da pena? Os senhores acham que o infeliz que derrubou esse helicóptero no morro, que poderia ter caído em cima de um asilo, de uma escola ou da própria casa desse infeliz, os senhores acham que o STF pode reduzir a pena desse bandido que matou três PMs com uma metralhadora? Cadê o Polegar? Cadê o Magno da Mangueira? Cadê o Matemático? (Magno foi solto depois da progressão para o semiaberto, mas foi preso novamente em 2004 e está em Bangu 1)Desculpe o desabafo, mas não dá para continuar assim. De cada 10 que a polícia estadual do Rio prende, oito são reincidentes. Será por que o nosso sistema penitenciário recupera o preso para a sociedade? Coloca-se esse criminoso em regime semiaberto porque ficou bonitinho
enquanto estava preso, e no primeiro dia de liberdade ele some de volta na sua comunidade. O Rio de Janeiro prende 3 mil pessoas por mês. E não há lugar para todas elas. Temos agora um convênio com o BID para construir casas de custódia, onde há menos chance de haver
baderna do que nas delegacias.
Armas:
Precisamos redimensionar nossos recursos. Eu quis comprar coletes balísticos para os policiais, mas não autorizaram porque vinham de fora do país. As armas dos bandidos do Chapéu Mangueira e Babilônia (Leme) têm um alcance de 4 mil metros. Então os senhores têm medo por causa do novo museu ali em Copacabana (no lugar da discotec a Help)? É, estão certos. Porque fizemos um estudo da abrangência dos tiros dos fuzis e também fizemos um estudo do aparato urbano dos bairros que se encontram sob o alcance dos armamentos dos traficantes. Há escolas, bancos, casas, museus, tudo ali no raio do poder de destruição dos
bandidos. Bala perdida, conflito de gangues... Isso não afeta apenas a população da favela. A sociedade precisa ter consciência de que não são somente os moradores das favelas que podem ser mortos numa guerra assim. Não nasceu policia comunitária que possa combater os nossos narcotraficantes com pistolinha e spray de pimenta. E ainda tem a burocracia toda: o Bope tem que pegar equipamento no almoxarifado. Levei um ano para comprar um helicóptero blindado para a Polícia Civil por exigência de licitação e a única empresa que apareceu foi a que tínhamos sugerido. A gente apreende 16 mil armas por ano. Dizem que estou enxugando gelo. E se não enxugar? Tenho de continuar enxugando. Mas precisa parar de entrar arma. Arma não tem perna, muito menos a droga. Se entra, é porque alguém traz. Tenho 100 mil armas apreendidas no Centro do Rio. Não posso fazer nada com elas. Nem usar, nem destruir. Não posso destruir porque o MP precisa mostrar as armas nos
processos.
Corrupção dos policiais:
Na Colômbia, expulsaram 15 mil policiais da corporação acusados de corrupção quando decidiram fazer a limpeza nas forças de segurança. Eu perguntei ao Hugo Acero (ex-secretário de Segurança colombiano) como eles conseguiram fazer isso em tão pouco tempo. Lei de exceção, me respondeu ele. A Secretaria de Segurança tinha o poder discricionário. Suspeitava, acusava, julgava...e rua. No Rio, foram necessários dois
anos para se condenar o ex-chefe de polícia. Para eu processar policiais por corrupção, preciso de provas, denúncias bem fundamentadas. E mais: a corrupção não é policial apenas, é do sistema. Há corrupção quando há gente corrompendo. Então, o dono do
BMW que é parado por um policial e que não pagou seu IPVA dá uns 50 real para o policial e sai feliz da vida, ainda rindo no bar com os amigos, dizendo que se safou da multa com isso. Além de a corrupção estar impregnada na sociedade e em várias instituições, existe uma enorme dificuldade de punir como se deve. É fácil ver deputado e prefeito preso por acaso? Se os senhores dizem que os policiais acusados de corrupção têm privilégios, são os mesmos privilégios que os senhores terão se atropelarem alguém ou se cometerem algum delito. São recursos e recursos, instâncias e instâncias. O que consigo fazer com um policial que mete uma bala na cabeça de alguém? Temos de respeitar a Constituição. Vamos então mudar as leis. Isso, só a
sociedade civil pode fazer. São os legisladores que os senhores elegem. Falam de desvio de armas pelos policiais. Claro que tem desvio. Muito desvio. Mas, no total, não chega a 0,1% das armas em poder dos traficantes. Nossos PMs estão com borracha nas mãos. E mais, quando apreendemos uma arma brasileira, ela está raspada, não sabemos
nem se é do Exército ou da polícia. Só conseguimos saber a procedência específica das metralhadoras e fuzis quando vêm da Bolívia ou das Forças Armadas da Argentina.
Treinamento e salários da PM:
Os senhores acham que é fácil deixar um policial de noite no Complexo do Alemão ganhando 970 reais por mês e proibir que ele faça bico? Quando, ao fazer segurança para a elite, ele ganha um terço disso numa noite? Não serei eu que tirarei o bico do PM. Claro que temos concursos e treinamentos. No último concurso, havia 25 mil candidatos, 2 mil 500 vagas, e tivemos 800 aprovados.
Governo federal:
O governo federal é sócio deste problema. O Rio de Janeiro ficou febril por causa da queda desse helicóptero, mas esse é um episódio de todo um processo, iniciado há décadas e que começou a piorar nos anos 80. No dia 28 de dezembro de 2007, logo antes de a gente assumir, a cidade do Rio ficou sitiada pelos bandidos só não foi derrubado
nenhum helicóptero. Então, não me venham com a oferta de mais um helicóptero blindado. Porque não existe meia solução. Não estou dizendo que o Exército tenha de cuidar da segurança pública. O Exército precisa cuidas das fronteiras. O que adianta trazer tropas para o Rio? Esses soldados não têm contracheque do estado do Rio, a
família está longe, qual o umbigo deles, qual o compromisso que eles têm com a realidade local das favelas? Se nós todos não nos unirmos e nos mexermos, se não tivermos o apoio do Legislativo e do Ministério Público para que o país enxergue o Rio como é, realmente, esse pessoal virá aqui na janela com o fuzil na nossa cara. Sugiro que a gente faça da queda deste helicóptero nosso 11 de setembro da segurança pública
no Rio. Antes e depois.
via @yanario por e-mail encaminhado por Gabriella Baumann-Harmann site: www.gabriellaharmann.com
sociedade civil. Vamos fazer da queda desse helicóptero nosso 11 de Setembro da segurança pública do Rio e do país?, disse Beltrame. Para que haja um antes e um depois, e até a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Rio se torne uma cidade em paz.
O 21º encontro do OsteRio uma iniciativa conjunta do Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (IETS), da Light e da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) que visa discutir o futuro d o Rio ocorreu no restaurante de Ipanema, Osteria dellAngolo. O fórum
acontece todas as segundas-feiras às 20h. Muitos na plateia receavam que Beltrame cancelasse o evento devido ao caos que se instalou na Zona Norte após a invasão do Morro dos Macacos por traficantes rivais, que resultou na morte de três PMs e três moradores supostamente inocentes. O encontro foi mantido. Apenas o foco se aprofundou.
O tema central de sua palestra seriam as UPPs as policias pacificadoras nas favelas. Com a queda do helicóptero, o tema passou a ser a guerra. Guerra foi uma palavra repetida várias vezes pelo secretário e os delegados presentes. Na primeira vez, ainda contido, o
gaúcho Beltrame pediu desculpas pela expressão. Mas depois se soltou. E pediu que a queda deste helicóptero abra os olhos da sociedade em todo o país para o que está acontecendo no Rio: Só no Rio existe fuzil e rifle. Só no Rio existe metralhadora antiaérea. Então o país todo precisa saber que, para enfrentar fuzis 762, 556, e .30, precisa haver um nivelamento das forças de combate, disse Beltrame em palestra que durou duas horas. Precisa haver uma
paridade. Precisamos redimensionar o armamento e os recursos das forças da ordem. Precisa entrar grana. Mas, de que adianta me darem R$10 milhões ou R$ 100 milhões se não posso gerenciar essa verba É para gerenciar as prateleiras com armas não letais. Só posso equipar meus policiais com spray de pimenta? Eu quis comprar carros blindados de Israel e da África do Sul. Fiz o pedido. Ah, não pode, porque esses veículos têm características de guerra. E isso que vivemos no Rio é o quê? O governo federal precisa assumir sua responsabilidade, seu
compromisso. Não adianta nada, um dia depois de bandidos derrubarem um helicóptero e matarem três PMs, nos telefonarem de Brasília oferecendo mais um helicóptero blindado. Nós recusamos. O que vai resolver mais um helicóptero blindado? O combate ao narcotráfico é competência do governo federal. Em nenhum lugar do mundo polícia estadual é encarregada de combater narcotraficantes. Ainda mais traficantes com fuzis importados que entram por nossas fronteiras e nossos portos. O que a população não entende é que o governo federal não tem de ajudar o Rio a combater o narcotráfico armado. É o estado do Rio que está
ajudando o governo federal em algo que é compromisso de Brasília.
A pacificação: No Rio existem hoje quase 1.000 favelas, com 1 milhão 400 mil moradores, onde a taxa de natalidade é seis vezes maior do que no asfalto. Muitos deles são carentes de tudo. De cidadania, títulos de propriedade, luz, esgoto, educação, saúde. A pacificação,iniciada em favelas menores, tem três objetivos. 1) Retomar o território, pois um artista não pode ser obrigado a pedir permissão para fazer um show, a policia não pode ter medo de subir, e o cidadão honesto não pode ficar à mercê do traficante para caminhar 2) Restabelecer a cidadania, onde direitos se associarão a deveres, e ter luz significará pagar pela luz, ter TV a cabo significará pagar pelo serviço. E o morador saberá que não pode ser expulso dali por ser proprietário do imóvel e pagar impostos. 3) Fazer uma ocupação definitiva, social, e não apenas de Forças Armadas que entram para fazer um serviço e saem logo depois.
Isso significa ter escola, posto médico, lazer, ginásio esportivo. Para isso acontecer, é preciso ter uma polícia que defenda os interesses do morador dentro da lei, uma polícia não corrupta, mas também empresas que invistam nessas comunidades para que elas se
tornem bairros e deixem de ser territórios disputados por gangues e facções. Em dezembro, saem da Academia mais 600 novos policiais, treinados para essa função de pacificadores. Em abril, serão mais 700. São 1.300 policiais sem vícios, educados, sem passivo, um investimento do governo estadual e, com ajuda da prefeitura, que está pagando gratificação extra aos recém-formados. Esses policiais poderiam estar nas ruas, prevenindo assaltos. Mas irão para as favelas porque a pacificação é nossa prioridade. Estamos calculando o tombo
que o tráfico levou até agora.
Pesquisas nas favelas:
Fizemos pesquisas no Dona Marta e na Cidade de Deus com 1.200 pessoas. Perguntamos: se os traficantes voltassem a agir livremente, você apoiaria uma intervenção FORTE da policia? No Dona Marta, 87% responderam sim. Na Cidade de Deus, 93% disseram sim. Outra pergunta: o que é mais importante ter nas favelas, qual a maior prioridade para
você? Resposta esmagadora: 1) ensino profissionalizante 2) geração de empregos. É por isso que faço um apelo aos empresários. Invistam nessas áreas. O estado não pode se omitir mas o setor privado também não. Tanto a Comlurb, quanto o setor de hotelaria, os restaurantes,
todos nós precisamos começar a olhar para as favelas pacificadas como bairros com oportunidades de crescimento. Isso porque, se os cidadãos não tiverem um mínimo de demandas atingidas, essa pacificação vai toda por água abaixo. Os moradores estão esperando que os serviços entrem ali, públicos e privados. O compromisso é de todos, também dos políticos e das ONGs. Porque quase ninguém sobe, ninguém vai às favelas. Na Cidade de Deus, eu via cadáveres e crianças dividindo o mesmo espaço, embaixo de um poste com propaganda de um candidato. Hoje uma musica que toca violoncelo no Teatro Municipal e que tinha só três alunos, passou a receber dezenas de matrículas depois que levamos para
tocar lá a Orquestra Sinfônica. É preciso dar perspectiva para a infância.
A metodologia:
Hoje, são 43 favelas que estão no programa de pacificação. O objetivo é chegar a 100 ? que foram identificadas por nós como as mais conflagradas, as mais criticas. No Dona Marta, a capitã que está ali foi pedida pelo COI e não pela gente. Foi o Comitê Olímpico que pediu
uma mulher no comando do Dona Marta. Esse programa começou e terá de continuar para sempre. Nenhum político vai ser burro de interromper a pacificação de favelas, pois isso vai tirar votos dele. Sem pacificação, o traficante com cordão de ouro continuará a ser a referência das crianças da favela porque serão eles a mandar em todos, ou dar as armas para adolescentes assaltarem, fazerem um ganho nos moradores do asfalto. Em resumo, a política de pacificação tem uma meta: resgatar a autoridade do estado democrático. De que adianta prender criminosos e apreender armas se as autoridades precisam pedir para entrar em territórios? Não se iludam. Não estamos nas favelas para acabar com o tráfico de drogas, pois isso não vai acabar nunca enquanto houver consumidores. Tem tráfico na praia, nas
esquinas da Zona Sul, zona nobre. Estamos ocupando as favelas para livrar a população local do desfile ostensivo de bandidos armados com metralhadoras, rifles e fuzis. Estamos ali para acabar com o poder dos traficantes sobre o dia a dia, o comércio, a vida das famílias.
Estamos ali para acabar com a política do fuzil e não com o tráfico. É esta ?política do fuzil? que faz do Rio de Janeiro um estado diferente dos outros?
As múltiplas funções da polícia do Rio:
Nossos policiais exercem três tipos de função. Prevenção e investigação. Combate ao narcotráfico. Proximidade com a comunidade (UPPs). Claro que isso está errado. Eu adoraria só me ocupar, como todas as polícias em paises desenvolvidos no mundo, da prevenção e
investigação. Até em outros estados do Brasil, é assim. No Rio Grande do Sul, eu fui criado com meu revólver 38 nas duplas Pedro e Paulo, que aqui no Rio se chamam Cosme e Damião. Aí seria fácil manter o atual efetivo do Rio. Em São Paulo, a policia só briga com o PCC. No
Rio, temos de combater três facções criminosas do narcotráfico e mais a milícia formada por ex-policiais, tão criminosa quanto os traficantes e mais difícil de prender. Não há nem lei para prender miliciano. Por isso, se já aumentamos o total de policiais de 36 mil para 43 mil, agora precisamos aumentar para 60 mil. Aí vão dizer que, proporcionalmente, este é um número grande demais. Mas, para pacificar o estado, precisamos de 60 mil, senão faltarão policiais nas ruas.
Progressão da pena:
A sociedade precisa colocar em discussão o regime de progressão da pena, que liberta um criminoso de bom comportamento depois de ele cumprir um sexto de sua sentença se tiver bom comportamento na prisão. Por que não exigir que cumpra nove décimos da pena? Os senhores acham que o infeliz que derrubou esse helicóptero no morro, que poderia ter caído em cima de um asilo, de uma escola ou da própria casa desse infeliz, os senhores acham que o STF pode reduzir a pena desse bandido que matou três PMs com uma metralhadora? Cadê o Polegar? Cadê o Magno da Mangueira? Cadê o Matemático? (Magno foi solto depois da progressão para o semiaberto, mas foi preso novamente em 2004 e está em Bangu 1)Desculpe o desabafo, mas não dá para continuar assim. De cada 10 que a polícia estadual do Rio prende, oito são reincidentes. Será por que o nosso sistema penitenciário recupera o preso para a sociedade? Coloca-se esse criminoso em regime semiaberto porque ficou bonitinho
enquanto estava preso, e no primeiro dia de liberdade ele some de volta na sua comunidade. O Rio de Janeiro prende 3 mil pessoas por mês. E não há lugar para todas elas. Temos agora um convênio com o BID para construir casas de custódia, onde há menos chance de haver
baderna do que nas delegacias.
Armas:
Precisamos redimensionar nossos recursos. Eu quis comprar coletes balísticos para os policiais, mas não autorizaram porque vinham de fora do país. As armas dos bandidos do Chapéu Mangueira e Babilônia (Leme) têm um alcance de 4 mil metros. Então os senhores têm medo por causa do novo museu ali em Copacabana (no lugar da discotec a Help)? É, estão certos. Porque fizemos um estudo da abrangência dos tiros dos fuzis e também fizemos um estudo do aparato urbano dos bairros que se encontram sob o alcance dos armamentos dos traficantes. Há escolas, bancos, casas, museus, tudo ali no raio do poder de destruição dos
bandidos. Bala perdida, conflito de gangues... Isso não afeta apenas a população da favela. A sociedade precisa ter consciência de que não são somente os moradores das favelas que podem ser mortos numa guerra assim. Não nasceu policia comunitária que possa combater os nossos narcotraficantes com pistolinha e spray de pimenta. E ainda tem a burocracia toda: o Bope tem que pegar equipamento no almoxarifado. Levei um ano para comprar um helicóptero blindado para a Polícia Civil por exigência de licitação e a única empresa que apareceu foi a que tínhamos sugerido. A gente apreende 16 mil armas por ano. Dizem que estou enxugando gelo. E se não enxugar? Tenho de continuar enxugando. Mas precisa parar de entrar arma. Arma não tem perna, muito menos a droga. Se entra, é porque alguém traz. Tenho 100 mil armas apreendidas no Centro do Rio. Não posso fazer nada com elas. Nem usar, nem destruir. Não posso destruir porque o MP precisa mostrar as armas nos
processos.
Corrupção dos policiais:
Na Colômbia, expulsaram 15 mil policiais da corporação acusados de corrupção quando decidiram fazer a limpeza nas forças de segurança. Eu perguntei ao Hugo Acero (ex-secretário de Segurança colombiano) como eles conseguiram fazer isso em tão pouco tempo. Lei de exceção, me respondeu ele. A Secretaria de Segurança tinha o poder discricionário. Suspeitava, acusava, julgava...e rua. No Rio, foram necessários dois
anos para se condenar o ex-chefe de polícia. Para eu processar policiais por corrupção, preciso de provas, denúncias bem fundamentadas. E mais: a corrupção não é policial apenas, é do sistema. Há corrupção quando há gente corrompendo. Então, o dono do
BMW que é parado por um policial e que não pagou seu IPVA dá uns 50 real para o policial e sai feliz da vida, ainda rindo no bar com os amigos, dizendo que se safou da multa com isso. Além de a corrupção estar impregnada na sociedade e em várias instituições, existe uma enorme dificuldade de punir como se deve. É fácil ver deputado e prefeito preso por acaso? Se os senhores dizem que os policiais acusados de corrupção têm privilégios, são os mesmos privilégios que os senhores terão se atropelarem alguém ou se cometerem algum delito. São recursos e recursos, instâncias e instâncias. O que consigo fazer com um policial que mete uma bala na cabeça de alguém? Temos de respeitar a Constituição. Vamos então mudar as leis. Isso, só a
sociedade civil pode fazer. São os legisladores que os senhores elegem. Falam de desvio de armas pelos policiais. Claro que tem desvio. Muito desvio. Mas, no total, não chega a 0,1% das armas em poder dos traficantes. Nossos PMs estão com borracha nas mãos. E mais, quando apreendemos uma arma brasileira, ela está raspada, não sabemos
nem se é do Exército ou da polícia. Só conseguimos saber a procedência específica das metralhadoras e fuzis quando vêm da Bolívia ou das Forças Armadas da Argentina.
Treinamento e salários da PM:
Os senhores acham que é fácil deixar um policial de noite no Complexo do Alemão ganhando 970 reais por mês e proibir que ele faça bico? Quando, ao fazer segurança para a elite, ele ganha um terço disso numa noite? Não serei eu que tirarei o bico do PM. Claro que temos concursos e treinamentos. No último concurso, havia 25 mil candidatos, 2 mil 500 vagas, e tivemos 800 aprovados.
Governo federal:
O governo federal é sócio deste problema. O Rio de Janeiro ficou febril por causa da queda desse helicóptero, mas esse é um episódio de todo um processo, iniciado há décadas e que começou a piorar nos anos 80. No dia 28 de dezembro de 2007, logo antes de a gente assumir, a cidade do Rio ficou sitiada pelos bandidos só não foi derrubado
nenhum helicóptero. Então, não me venham com a oferta de mais um helicóptero blindado. Porque não existe meia solução. Não estou dizendo que o Exército tenha de cuidar da segurança pública. O Exército precisa cuidas das fronteiras. O que adianta trazer tropas para o Rio? Esses soldados não têm contracheque do estado do Rio, a
família está longe, qual o umbigo deles, qual o compromisso que eles têm com a realidade local das favelas? Se nós todos não nos unirmos e nos mexermos, se não tivermos o apoio do Legislativo e do Ministério Público para que o país enxergue o Rio como é, realmente, esse pessoal virá aqui na janela com o fuzil na nossa cara. Sugiro que a gente faça da queda deste helicóptero nosso 11 de setembro da segurança pública
no Rio. Antes e depois.
via @yanario por e-mail encaminhado por Gabriella Baumann-Harmann site: www.gabriellaharmann.com
Assinar:
Postagens (Atom)